quinta-feira, 2 de abril de 2015

ANÁLISE - GAME OF THRONES BOARD GAME (SEGUNDA EDIÇÃO)


Algum tempo atrás comecei a me interessar bastante por jogos de tabuleiro. Joguei diversos jogos com meus amigos mas ainda existia um que sempre tive curiosidade e vontade de jogar. Motivado tanto pelos livros/série quanto pelo estilo de jogo, Game Of  Thrones board game sempre me chamou muita atenção. Mas então no natal do ano passado, presenteado por minha namorada (sua linda!), finalmente poderia travar combates e intrigas em Westeros. Na primeira semana já tratei de levar o jogo quando a galera se reunisse. Fiz questão de ler o enorme compilado de regras (32 páginas) e a primeira vista não entendi muito bem. Existem milhares de pequenas regras para cada coisa no jogo. Gostamos de brincar que existem regras sobre regras, mas aos poucos eu fui entendendo. De uma forma superficial, GoT board game é um wargame, com sistema de leilão e dominação de área. As batalhas pelo domínio dos sete reinos são travadas pelas casas Stark, Lannister, Baratheon, Tyrell, Greyjoy e Martell. O jogo não utiliza dados, as batalhas são resolvidas pelo número das tropas e cartas, tirando assim o fator sorte e afirmando o fator estratégia. Não vou falar sobre regras nesta análise pois não é esse meu intuito, entretanto vou colocar no post um vídeo que me ajudou muuito, do canal Jogando Offline que explica todas as regras na prática, e ainda demonstram uma rodada inteira do jogo.

                


A primeira coisa que impressiona no GoT board Game é a qualidade. A Galapagos Jogos fez uma adaptação perfeita (como sempre), trazendo a mesmíssima qualidade na caixa, peças tabuleiros que a versão americana (lembrando que a versão desta análise é a 2º edição). O tabuleiro é lindo, com uma arte sensacional reproduzindo fielmente cada região de Westeros. Por falar em arte, as cartas de personagens de cada casa estão magníficas. Catelyn, Cersei e Melisandre por exemplo estão lindas (apesar de que os efeitos das suas cartas não são tão bons XD). A única parte que peca, são as miniaturas. Eu entendo essa ideia de usá-las como se fôssemos lordes  medievais planejando um combate, e que o estilo das peças faz referencia as mesas de guerra, mas elas são demasiadamente simples. Os navios por exemplo quase não lembram o formato real de uma embarcação, e as catapultas e os cavalos são facilmente confundíveis no campo. Nada que atrapalhe o jogo, mas poderiam ter dado uma caprichada maior as peças. As fichas, marcadores, escudos e cartas devidamente carregando as cores das respectivas casas estão sensacionais. Vermelho para os Lannister, branco para os Stark, preto para os Greyjoy, amarelo para os Baratheon, dourado para os Martell e verde para os Tyrell.

 

Ainda não falei da melhor parte do jogo: o gameplay! Cara, como é divertido jogar esse jogo. As partidas variam bastante, e até o último segundo da última rodada nada esta definido. Outro fator que influencia bastante são as três cartas de evento que são puxadas em cada rodada. Elas podem tanto ajudar quanto acabar com seus planos, o que garante que nunca uma partida vai ser igual a outra.O mapa do jogo te estimula a formar alianças ou inimigos. Cada casa possui pelo menos duas casas adjacentes, as vezes a única opção de expansão que você tem são com as alianças. Parcerias trazem uma enorme gama de possibilidades ao jogo, pode acontecer de você ter que se juntar com alguma casa poderosa com um tratado de não agressão, mas isso não garante que uma traição aconteça a qualquer momento. Isso gera uma sensação de desconfiança típica da série e dos livros de Game of Thrones, afinal não se pode confiar em ninguém por completo. Algumas casas como Lannister e Greyjoy, já começam o jogo em uma localização extremamente perigosa no meio do mapa, o que te dá duas opções: aliança ou combate imediato, ou tudo pode ser resolvido com lábia e negociação. Outra coisa que cria esse clima são as decisões do portador do trono de ferro, do corvo e do Aço Valiriano, que podem alterar ou destruir completamente qualquer estratégia que você tenha montado.



Os combates são extremamente tensos, por mais que tenha maior número de soldados ou suportes de outros jogadores, tudo ainda fica em aberto dependendo das cartas que vão lançar. Por várias vezes fui com toda confiança ao ataque, pra depois quebrar a cara de forma inesperada. Cada jogada tem que ser meticulosamente pensada, você tem que realizar sua ação tentando prever o que seus inimigos/aliados vão fazer. Saber usar o mar por exemplo aumenta e muito sua chance de vitória. Casas como Baratheon e principalmente Greyjoy já começam dominando grandes pedaços do oceano, e estar a mercê de um ataque vindo do mar é bem tenso. Outro momento de tensão são as invasões das selvagens além da muralha, no extremo norte. Todos os jogadores devem usar suas fichas de influencia para impedir a invasão. Caso saiam vitoriosos, quem usou mais influencia ganha uma recompensa maior, caso percam, todos sofrem com alguma penalidade, mas quem usou menos influencia é o que recebe os piores castigos. Porém, as mesmas fichas que são usadas para impedir as invasões são as usadas nos leilões para decidir quem ficará com o trono de ferro, o corvo e o aço valiriano, e garantir uma boa colocação nas posições de influencia. Será que vale a pena arriscar seus pontos de influencia numa invasão para depois perder o trono? Seria válido perder de propósito uma invasão para que algum jogador sem influencia alguma tome uma penalidade enorme?



Enfim, Game of Thrones Board Game é um jogo tenso (e muito divertido) do início ao final. Alianças são formadas e quebradas, intrigas e discussões também são frequentes. Tentar negociar um ataque, ou convencer seus amigos é uma das coisas mais divertidas. é um jogo que preza pela comunicação e a politicagem além da jogabilidade. Normalmente quem fica no canto tentando passar desapercebido não consegue ganhar nada. O jogo é eletrizante e muito mais divertido e equilibrado quando é jogado por seis jogadores e funciona muito bem para até quatro jogadores, mas tem alguns problemas quando é jogado a três (problema que foi resolvido com a Expansão "O festim dos corvos" que adiciona a casa Arryn e ajusta algumas mecânicas). Outro ponto importante para salientar é que uma partida completa pode durar muuuito tempo. Já joguei partidas rápidas de duas a três horas mas também já participei de enormes partidas de cinco a seis horas, onde em um turno aconteciam dezenas de coisas. Portanto se esta interessado em entrar na Guerra pelo trono de Westeros separe um tempo, reúna seus amigos, faça suas alianças, planeje suas traições e suas vinganças e prepare seus exércitos, pois este é um dos melhores jogos de tabuleiro que joguei, e a minha indicação é: "Quando se joga o jogo dos tronos, ou você vence ou você morre "





FICHA TÉCNICA


Criação:
Christian Petersen e Jason Walden
Distribuidora
: Galapagos Jogos
Jogadores: De 3 a 6.
Duração: De 90 minutos a só Deus. :)

Replay:          ★ ★ ★ ★
Diversão:       ★ ★ ★ ★ ★
Jogabilidade:  ★ ★ ★ ★
Dificuldade:
    ★ ★ ★ ★ ★
Arte:               ★ ★ ★ ★
Componentes: ★ ★ ★ ☆ ☆

NOTA:           

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