quarta-feira, 11 de março de 2015

QUADRINHOS - A PIADA MORTAL


Clássico é clássico. E não importa quanto tempo se passe, a Piada Mortal de Alan Moore sempre vai ser referência. O ótimo enredo, a arte incrível e o polêmico final que divide opiniões. Confira nosso especial sobre umas das melhores histórias do Homem Morcego de todos os tempos.


SINOPSE

Com a intenção de provar que qualquer homem pode ficar louco tendo um dia ruim, Coringa arma um terrível plano contra o comissário Gordon, atacando ele e sua filha Bárbara Gordon quando menos esperavam. Com Gordon em posse do vilão, uma série de torturas psicológicas pesadas são usadas contra ele, levando o comissário ao limite da loucura e da sanidade. Enquanto isso temos Batman atrás de seu arqui-inimigo, disposto a oferecer um tratamento para resolver os problemas psicológicos de Coringa. Paralelamente, temos flashs mostrando o passado até então secreto de Coringa e os motivos dele se transformar no palhaço do crime.



ANÁLISE

"Olá, eu vim conversar! Estive pensando muito ultimamente sobre você e eu. Sobre o que vai acontecer com a gente no fim. Vamos matar um ao outro, não?" Assim se tem início a essa indispensável obra, que além de mostrar a complexa relação entre vilão e herói mostrada com Batman e Coringa, consegue elevar isso a um outro patamar e igualar os dois, mostrando ainda a origem mais aceitável até hoje do palhaço, além de conseguirem humanizá-lo. Em uma das histórias onde a insanidade e crueldade do palhaço do crime estão no auge, nós vemos um lado humano e desafortunado. Descobrimos sua vida anterior, os motivos que o levaram a se tornar o que é agora, graças a um "dia ruim" que poderia ter ocorrido com qualquer um. Por tudo que o vilão passou, os atos inconsequentes dele, são quase aceitáveis (só que não), ou pelo menos justificáveis.


Mas uma das coisas mais incríveis dessa revista é mostrar que Batman e Coringa são o que são apenas por suas escolhas, afinal são muito parecidos. Os dois tiveram um dia ruim no passado que definiram o que eles são hoje. Claro que cada um a seu jeito, mas como o próprio Coringa fala para o morcego "Seu dia ruim o deixou louco como qualquer um... só que você não admite! Senão porque se vestiria como um rato voador?!" Alan Moore quis mostrar nessa história que a ligação entre os dois é mais do que a de arqui-inimigos, é como se um entendesse o outro. Por esse fato Bruce se propõe a ajudar a trazer o palhaço de volta a razão, culminando em uma das cenas mais antológicas, onde Coringa recobra sua sanidade e afirma ser covarde e fraco, e que é tarde demais para voltar. Precedendo esta cena temos outra tão rara quanto, Bruce Wayne, o Batman não só ri da piada contada por sua contraparte, como gargalha de maneira jamais vista. Alguns acontecimentos em a piada mortal marcaram para sempre as histórias do Batman, sendo mantidas até hoje, algumas chocantes como o que ocorre com Bárbara Gordon, que afeta Bruce como Batman até os dias de hoje. Outros fatos ainda intrigam os fãs, como o resultado da tortura feita em Gordon e a polêmica conclusão. Afinal de contas o morcego mata ou não seu inimigo? O roteiro deixa isso em aberto de maneira sensacional.


Além de reconhecermos a ótima qualidade do roteiro temos também que parabenizar o desenho de Brian Bolland, que conseguiu ilustrar algumas das cenas mais marcantes de toda a carreira (extensa) do morcego. Seu traço realista e sua habilidade em combinar perfeitamente luz e sombras contribuem e muito para a história. Na edição especial onde as cores foram realçadas e um excelente efeito preto e branco durante os flashbacks, a arte fica ainda mais incrível. Algumas cenas se eternizaram, como a cena em que Coringa dá o seu primeiro "sorriso" apôs ter se transformado. A cena é tão clássica que até hoje é uma das imagens mais conhecidas dele. Conclusão, uma história fantástica e fascinante, temas pesados, origens e respostas, tudo isso fez dessa história o clássico que é. E junto de Batman - O Cavaleiro das Trevas e Batman - Ano Um, esta é sem dúvida um das histórias mais importantes protagonizadas pelo morcego, mesmo o foco sendo totalmente em cima do Coringa, que como um dos melhores vilões já criados, merece e muito histórias tão caprichadas quanto essa.


Nome: A Piada Mortal (The Killing Joke)
Páginas: 48 (única edição)

Lançamento: Março 1988
Roteirista: Alan Moore
Desenho: Brian Bolland
Editora: DC comics

Prêmios recebidos:  


Will Eisner Comic Industry Award (Melhor desenhista, escritor e graphic novel)
Harvey Award (Melhor história, desenhista, graphic novel e colorista)



Fãs de Batman ou não, esta história é indispensável para todos os que gostem de boa leitura e que apreciem um ótimo quadrinho, como a muito não se vê. Foi lançada uma edição especial de luxo pela Panini, recolorida, com capa dura e dezenas de páginas com extras, como por exemplo a primeira aparição do Coringa. Recomendação máxima, tenho certeza que não vão se arrepender.

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